Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Brasil negociará com Espanha migração de mão de obra jovem qualificada!


Brasil negociará com Espanha migração de mão de obra jovem qualificada - Naira Hofmeister, da Carta Maior


Secretário-executivo do Conselhão Nacional, ministro Moreira Franco prepara encontro bilateral com o Conselho Econômico e Social espanhol para discutir regras para a vinda de trabalhadores. Proposta tirada dos colegiados seria encaminhada aos governos. “A taxa de desempregados jovens na Espanha é muito alta. Nós podemos aproveitá-los. E no conselho vamos ter empresários e centrais sindicais para definir limites, porque em determinadas áreas nós precisamos de mão de obra, e em outras não", diz Moreira Franco em entrevista à Carta Maior.



Madri - O titular da Secretaria Nacional de Assuntos Estratégicos, ministro Moreira Franco, esteve em Madri de segunda à quarta-feira para participar do II Encontro Ibero-Americano de Conselhos Econômicos e Sociais. Secretário-executivo do Conselhão no Brasil, ele sugeriu ao presidente do colegiado espanhol a realização de uma reunião bilateral para discutir a migração de espanhóis qualificados para trabalhar no Brasil.


“A taxa de desempregados jovens na Espanha é muito alta. Nós podemos aproveitá-los. E no conselho vamos ter empresários e centrais sindicais para definir limites, porque em determinadas áreas nós precisamos de mão de obra, e em outras não.”

Nesta entrevista exclusiva a Carta Maior, Moreira Franco ainda compara as experiências de conselhos formados com a sociedade civil na Europa e na América Latina, fala da experiência brasileira e diz que o país pode ensinar sobre sua experiência para superar crises econômicas.

Carta Maior – Os conselhos de Portugal e Espanha que foram fundamentais para que a transição democrática se concretizasse não tem tido o mesmo impacto nesse cenário de crise, em que poderiam ser ouvidos. Qual é a sua avaliação?

Moreira Franco - Isso depende do contexto histórico de cada país e também da disposição do primeiro-ministro ou do presidente da República. No caso do Brasil, foi criado pelo presidente Lula (em 2003). Ele viu que o conselho poderia ser uma ferramenta muito importante no debate de problemas econômicos e sociais, na medida em que reúne representantes de diversos segmentos da sociedade - centrais sindicais, confederações empresariais, movimentos sociais, lideranças comunitárias, intelectuais. 


E mesmo quando os interesses são conflitantes, a convivência no debate de outros problemas ao longo da execução do plano de trabalho do conselho vai criando um ambiente em que não se vê o interlocutor como um inimigo, mas como uma pessoa que tem pontos de vista diferentes. Então, você convive democraticamente quando consegue respeitar a diferença. 

É exatamente isso que tem feito do conselho brasileiro uma experiência bem sucedida. Na crise de 2008, por exemplo, o presidente Lula usou o conselho como um fórum para testar as políticas, soluções e, inclusive, para receber as informações das aplicações dessas políticas, com dados lá da ponta de movimentos sociais e empresários - a máquina publica é muito lenta na avaliação dessas consequências.

CM: E o caso europeu?
MF: Na Europa, os conselhos foram criados em um contexto de períodos de guerra, para sair do conflito absoluto. No caso da Espanha, o Pacto de Moncloa teve uma base grande de sustentação no Conselho de Desenvolvimento Econômicos e Social, exatamente com essas mesmas características de diálogo. 


Hoje o mundo está em crise, esse é um dado importante. Os conselhos conversam sobre muitas coisas. Por exemplo, sugeri ao presidente do conselho espanhol que fizéssemos uma reunião bilateral para discutir a questão da migração. A taxa de desempregados jovens na Espanha é muito alta. E precisamos no Brasil - enquanto o sistema educacional melhora e consegue formar quadros que respondam às necessidades que o nosso mercado coloca no campo da mão de obra -, podemos aproveitar esses jovens, trocar experiências, porque a melhor maneira de transferir tecnologia é transferir pessoas que conhecem, trabalharam, pensam, já sabem, são capazes de formar outras pessoas nos processos produtivos. 

Isso é um dado positivo. E se conseguirmos definir políticas adequadas, podemos levar tanto ao governo brasileiro quanto ao governo espanhol uma proposta que possa atender às nossas necessidades. E no Conselho vamos ter tanto os empresários quanto as centrais sindicais para definir limites, porque em determinadas áreas nós precisamos (mão de obra), e em outras não. E temos que compatibilizar isso. Como eu sempre digo, um bom acordo é quando todo mundo acha que está perdendo, porque se um acha que está ganhando, não é um bom acordo.

CMIsso é apontado por vários países como o mais difícil nos conselhos: fazer com que cada um ceda um pouco na sua posição. Como chegar nesse patamar?

MF: Através da política. Isso é fazer política - trabalhar no dissenso, buscando formar maiorias. O consenso é uma utopia autoritária, não é um valor democrático. Para ter consenso, é preciso ter alguém com força suficiente para dizer “é”. E sustentar o “é”. Enquanto que na democracia, é preciso negociar, formar maioria. E as pessoas devem ter sensibilidade, habilidade, humildade e o espírito democrático de aceitar a vontade da maioria.

CMOs conselhos europeus foram inspiração para o Brasil, são a vanguarda. Isso está se invertendo: a América Latina está servindo de exemplo para os europeus nesse contexto de crise?
MF: No caso dos conselhos até acho que não. Temos o que ensinar, especificamente no caso brasileiro, porque já vivemos muito dos problemas que a Europa vive hoje. Já tivemos anos, décadas de uma política fiscal rigorosa, da presença do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, fazendo quase que a gestão da economia brasileira. 


Também já tivemos uma inflação de 85%, 86% ao mês, crise de moeda, crise bancária. E conseguimos fazer com que o sistema bancário brasileiro seja um dos mais eficazes, tem uma metodologia de análise de risco que dá muita segurança ao sistema, ao cliente. É claro que ainda tem muito o que avançar, mas nessa área avançamos bastante. 

Então, não (especificamente) na natureza do conselho, mas no conteúdo das experiencias vividas, temos o que trocar, o que dar e o que aprender. Então, essa relação (entre os conselhos) pode nos colocar muito adequadamente no mundo. Agora mesmo estamos fazendo um esforço grande no sentido de fortalecer os conselhos da América do Sul e do Caribe. Será que poderemos sobreviver bem se os nossos vizinhos não estão bem? Acho que a política externa brasileira tem que pensar essas coisas.

CME é possível criar um bloco de discussão entre os conselhos da América Latina, o senhor acredita na formação de algo nos moldes do Conselho Europeu?

MF: Acho que é possível, devemos tentar. A nossa maturidade, o nível a que chegamos, as experiências sociais, econômicas e política vividas nos impõe uma escala diferente para as nossas lideranças. Não só pelo tamanho que temos hoje, mas pela qualidade das relações que temos no mundo. Temos que definir a nossa posição para o mundo, definir nossos valores. Precisamos entender que a nossa relação com o mundo - e essa relação dos conselhos pode ser positiva -, só se justifica se tiver valores democráticos, de justiça social.


Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21183

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