Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Alemanha: Mídia do país não tem uma Rede Globo! - por Flávio Aguiar!


Um sobrevôo sobre a mídia alemã: (2) A televisão - por Flávio Aguiar, da Carta Maior


A experiência alemã com a mídia televisiva tem por objetivo evitar a concentração de poderes em poucas mãos. Apesar de, em sua história, a mídia televisiva da Alemanha Ocidental – que foi a que prevaleceu – ter começado com um único canal público de TV (ARD), e depois mais dois. Só em meados da década de 80 que o sistema televisivo da então Alemanha Ocidental se abriu para o setor privado. O artigo é de Flávio Aguiar.



Berlim - Como tudo mais, a experiência alemã com a mídia televisiva tem por objetivo evitar a concentração de poderes em poucas mãos.
Apesar de, em sua história, a mídia televisiva da Alemanha Ocidental – que foi a que prevaleceu – ter começado com um único canal público de TV (ARD), depois 2 (ZDF) e três (com as retransmissoras regionais da ARD, que também promoviam programação própria). Foi apenas em meados da década de 80 que o sistema televisivo da Alemanha Ocidental se abriu para o setor privado.

Na antiga Alemanha Oriental havia um sistema estatal de TV. A situação era muito complexa, porque boa parte dos cidadãos da DDR conseguiam captar os sinais do lado Ocidental. Interferir com estes sinais, bloqueando-os, também podia dificultar a transmissão própria do lado oriental. Havia até acomodações de horários, com os noticiários, por exemplo, do lado oriental e do lado ocidental indo ao ar em momentos diferentes.

Depois da reunificação, o sistema oriental foi absorvido pela ARD (fundada em 1954) sob a forma de estações regionais de retransmissão.

A Alemanha desfruta de um sistema próprio de transmissão, conhecido como PAL (mesmo com as atuais transmissões digitais), que também é usado no Reino Unido, na Europa ocidental, na África, Austrália e América do Sul. É um sistema diferente do usado na América do Norte e Central,e no Japão, o ATSC, sucessor do NTSC, e do SECAM, usado na França, na Rússia e na Europa do Leste.

Atualmente 95% dos lares alemães possuem pelo menos um aparelho de TV, num total de quase 40 milhões de unidades. Destas, 19,8 milhões recebem a TV a cabo, 15,7 por satélite e 4,2 por transmissão aérea, ou terrestre.

As TVS públicas alemãs continuam desfrutando de uma larga audiência: juntas, são responsáveis por 24,5% da recepção, 12,4% a ARD e 12,1% a ZDF. As duas maiores TVs privadas são responsáveis por 24,2% da recepção: a rede RTL detém 14,1% e a SAT1, 10,2%. Assim mesmo esses dados, que são de 2011, apontam uma variação pequena, mas importante: em 2009 a ARD detinha 12,7% da recepção e a RTL, 12,5%. A ZDF tinha 12,5% e a SAT1, 10,4%. De todo modo, o que se constata é que não existe aqui um fenômeno como o da Rede Globo.

Em termos de financiamento, 4,43 bilhões de euros provêem de fontes públicas; 4,035, da publicidade; e 1,15 das assinaturas. Parte do financiamento público (que vai para a ARD e a ZDF) provém de um imposto, chamado GEZ (de “Gebühreneinzugszentrale”), pago por todos os lares conforme tenham aparelhos de tv e/ou rádio, cuja declaração e registro são obrigatórios (excetuam-se os aparelhos portáteis e de carro, caso os usuários já os tenham em casa). O imposto pago pela posse de um ou mais aparelhos de rádio é de 5,76 euros por mês, e 17,98 por tv ou tv + rádio, independentemente do números de aparelhos. Pode-se pagá-lo mensalmente, por trimestre ou anualmente. Há também casos de isenção por desemprego, recurso à assistência social, etc.

Anote-se também que o número de canais pequenos ou de grande porte – mais internacionais (como a CNN ou a BBC, por exemplo) é muito grande. Somente em Berlim o usuário dispõe de 25 canais (sem contar os que possa receber do exterior via satélite ou pela internet, em seu computador). Nos canais públicos a publicidade é controlada rigidamente, não podendo ultrapassar os 20 minutos diários e ter de ser veiculada antes das 20 horas.

O controle sobre a TV é exercido por uma intricada rede de Comissões de nível regional ou estadual, que, além de atuarem em sua área, se reúnem periodicamente e fazem parte da European Platform of Regulatory Authorities. A atividade dessas Comissões é regulada em lei derivada da Constituição Federal e, entre suas atribuições estão:

1) O licenciamento dos canais e a avaliação sobre se está havendo excessiva concentração em sua posse;

2) A avaliação sobre a pluralidade de pontos-de-vista em todos os setores da programação;

3) A proteção do menor;

4) A observação das leis anti-discriminação cultural, religiosa, étnica, sexual, etc.

Essas comissões podem exarar pareceres ou recomendações com força de lei. Assim mesmo, há por vezes reclamações de que eventualmente têm sua eficácia comprometida pelo volume de material a ser examinado.

Curiosidades
O programa de maior audiência na Alemanha segue sendo uma série policial chamada Tatort (literalmente, O lugar do crime), que passa originalmente no canal ARD, nos domingos à noite, às 20:15. Depois ele é reproduzido em outros canais, tanto no ZDF como em canais privados. Seus protagonistas – além dos criminosos e testemunhas – são grupos de policiais (em duplas ou trios) que atuam em diferentes cidades da Alemanha e, eventualmente, da Áustria e da Suíça. É produzido por equipes distintas que não têm contato entre si. No ar desde 1970.

Desde 1972 as TVs alemãs reproduzem na véspera do Ano Novo, em diferentes horários, o programa “Dinner for one, ou der 90. Geburtstag”, um sketch cômico de 18 minutos, que já foi citado no livro Guinness de recordes como o programa televisivo mais repetido no mundo. O tema é a comemoração do nonagésimo aniversário da caduca Miss Sophie (May Warden) , com seu mordomo James (Freddie Frinton), que recebe convidados imaginários, todos interpretados pela voz deste.

O sketch foi escrito por Lauri Wylie, na Inglaterra, na década de 20, e a dupla de atores tornou-o famoso com sua interpretação a partir de 1945. Em 1963 gravaram sua interpretação em Hamburgo, na Alemanha, ao vivo perante uma audiência. Desde então esta mesma interpetação foi sendo reproduzida na TV alemã, e a partir de 1972 fixou-se no dia 31 de dezembro. É de audiência obrigatória em todos os lares e bares e outros locais públicos nesta noite, em todo o país, e já foi retransmitida para a Áustria, Suíça, ou países tão distantes como a África do Sul e a Austrália.


Link:

http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=21399&editoria_id=6

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