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"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

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segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Governo Dilma mudou inteiramente a política econômica! - por Marcos Doniseti!

Governo Dilma mudou inteiramente a política econômica! - por Marcos Doniseti!


A popularidade de Dilma já começa a se aproximar da do ex-presidente Lula, que terminou o seu governo com 87% de aprovação. 

O governo Dilma mudou inteiramente a política econômica nestes seus dois primeiros anos de mandato, ao mesmo tempo em que deu continuidade e aprofundou uma série de mudanças graduais que já haviam começado durante o governo Lula. 

Quais foram as mudanças que aconteceram? E qual é a política que vigora a partir de agora?


Bem, para resumir, o governo Dilma enterrou a política econômica cujo tripé vinha do segundo mandato de FHC e que se baseava em 'juros altos, câmbio flutuante e metas de inflação'. 


Essa política foi imposta pelo FMI ao governo FHC depois que o Plano Real desmoronou, durante o ano de 1998, quando as reservas internacionais do país viraram pó.


Com isso, o então governo do sociólogo poliglota (que sabe falar muitas línguas, embora demonstre ter muitas dificuldades com a Língua Portuguesa) recorreu ao mesmo FMI, em Setembro de 1998, pois o país ficou sem reservas internacionais suficientes para conseguir honrar os seus compromissos externos: pagamento de juros da dívida externa, remessa de lucros ao exterior, pagamento de royalties, gastos de turistas brasileiros no exterio, etc. 


Daí, para viabilizar a liberação de um gigantesco empréstimo, no valor de US$ 41,5 bilhões, o FMI exigiu um conjunto de medidas que o governo FHC teria que adotar, senão o dinheiro não seria liberado. 


Entre as medidas impostas pelo FMI, estavam a adoção das políticas de câmbio flutuante (que foi apenas adiado para depois da eleição, a fim de garantir a vitória de FHC), de uma política de superávit primário e de metas de inflação. 


Esse tripé de política econômica vigorou até o final 2005, quando o governo Lula decidiu não renovar o acordo com o FMI. Daí, o mesmo passou a ter uma margem de manobra muito maior para promover mudanças, mesmo que graduais, na política econômica. E as mudanças foram aceleradas a partir do início da crise financeiro global que atingiu em cheio as economias dos países ricos (EUA, UE, Japão) e que ainda estão longe de se recuperar da mesma. 


Uma das principais inovações do governo Lula, em 2006, foi a criação do PAC, que visava aumentar os investimentos públicos em infra-estrutura e na área social. Os programas de inclusão social, que já existiam, como o Bolsa-Família, foram ampliados, aumentando substancialmente o número de famílias beneficiadas e o valor médio pago às mesmas. A política de aumento real do salário mínimo, adotada desde 2003, foi intensificada. 


Além disso, a taxa Selic, que era de 25% ao ano no final do governo FHC, foi sendo reduzida, terminando 2010 em 12,5% ao ano, metade do que era em 2002, portanto. A política de valorização do salário mínimo, com aumentos reais anuais garantidos por lei, e a criação de 15 milhões de empregos com carteira assinada contribuíram decisivamente para aumentar o poder de compra dos salários e elevar a massa salarial no país. 


Ainda no governo Lula, o superávit primário foi reduzido em 0,5% do PIB e a criação do PAC, elaborado em 2006 e adotado em 2007, elevou os investimentos públicos, inclusive com parte deles sendo abatido do superávit primário, o que levou a uma nova queda do mesmo. 


Tudo isso gerou melhoria da distribuição de renda, com a renda do trabalho aumentando a sua participação na renda nacional (passou de 39% para 43% do PIB, segundo o economista Marcio Pochmann).


Essas políticas distributivas foram responsáveis pela ampliação do poder de compra dos trabalhadores e aumentaram significativamente o tamanho do mercado consumidor do país, que passou a incluir mais de 65% da população. 



Lula iniciou um processo de mudanças que, agora, é intensificado no governo Dilma, beneficiando os trabalhadores e fortalecendo o país. 
Segundo a FGV, 50 milhões de brasileiros subiram de classe sócio-econômica durante o governo Lula: Quase 10 milhões passaram a fazer parte das classes A/B e outros 40 milhões subiram para a Classe C. E esta passou a incluir a maioria absoluta da população brasileira, algo inédito na história do país. 

Porém, apesar destas políticas terem resultado em melhorias significativas no padrão de vida da população assalariada e dos mais pobres (o que explica a elevada popularidade do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma). 


Mas o tripé de política econômica ainda permanecia, embora de forma atenuada, a partir do fim do acordo com o FMI, no final de 2005. Entre as mudanças graduais promovidas na época tivemos  a redução do superávit primário e a queda da taxa real - Selic - em quase 50% durante o governo Lula, caindo de 12,5% para 6,5% ao ano entre 2003-2012. Porém ainda um terceiro elemento dessa política que precisava ser resolvida, que era a excessiva valorização do Real frente ao Dólar. 


Em Dezembro de 2002, o dólar estava cotado a R$ 3,54, enquanto que em Julho de 2011 ele havia caído para R$ 1,56, o que representou uma queda de 56% no valor da moeda americana. Isso encareceu os produtos exportados pelo Brasil e barateou as importações. 


Junto com a forte valorização do Real entre 2003-2011, tivemos a adoção (a partir da crise financeira global de 2008) de uma política de juros reais negativos e de maxidesvalorização de suas moedas adotadas pela China, EUA e, mais recentemente, pela União Européia.


Com isso, vimos setores importantes da indústria brasileira (principalmente o de bens intermediários) passarem a sofrer muito com essa combinação de fenômenos, acarretando a perda de mercado para a mesma, tanto no Brasil, como no exterior, inclusive na América Latina (está é o maior mercado de exportação da indústria brasileira). 


Os maiores beneficiários dessa combinação de políticas, que eram prejudiciais para a indústria brasileira, foram os extremamente baratos produtos industriais chineses, que contam com os benefícios gerados por uma mistura de descarado dumping cambial (graças a uma moeda chinesa extremamente desvalorizada) com um deslavado dumping trabalhista (que é viabilizado graças os baixos salários pagos aos trabalhadores chineses). 


Estes salários reduzidos dos trabalhadores chineses são possíveis também devido à excessiva oferta de mão-de-obra (afinal, a população chinesa chega a 1.500.000.000 habitantes), à intensa repressão governamental contra o movimento sindical e também graças à  inexistência de direitos sociais, trabalhistas e previdenciários. 


E tudo isso acontece num país que se diz 'Comunista'. Acredite, se quiser.... 


Mas, nestes dois primeiros anos do governo Dilma, o fato concreto é que esse tripé de política econômica foi inteiramente abandonado, o que resultou na adoção de uma nova política econômica.

Como já vimos, o governo Lula já vinha atenuando essa política, mas ela ainda estava em pé ao final do seu governo.


Mas o governo Dilma aprofundou esse processo de mudanças e enterrou, de forma definitiva, a política econômica herdada dos tempos em que o FMI governou o Brasil, a partir de 1998, quando FHC recorreu ao mesmo, e que se baseava, como já afirmei em 'juros altos, câmbio flutuante e metas de inflação'. 


Várias medidas adotadas pelo governo Dilma deixam bem claro que esse tripé foi abandonado e é sobre isso que irei comentar agora. Vamos lá, então:



Classes A-B-C tiveram um crescimento expressivo durante o governo Lula, enquanto a D-E diminui rapidamente, caminhando para a extinção.

1) Superávit Primário:


O FMI criou essa expressão para designar os recursos usados pelos governos para pagar os juros e as amortizações da dívida pública. Mas, de fato, não existe superávit primário nenhum. 


Superávit somente existe quando o Estado arrecada mais do que gasta e isso não acontece, praticamente, em nenhum país do mundo. Quase todos os governos do mundo tem déficit público nominal, ou seja, gastam mais do que arrecadam. 


Assim, superávit primário é apenas um nome que se deu para o pagamento do serviço da dívida pública. 


No Brasil, o governo FHC não praticou política alguma de superávit primário em seu primeiro mandato e, com isso, o déficit público nominal foi gigantesco. A média anual deste, no período de 1995-1998, foi de espantosos 6,7% do PIB. 


Para efeito de comparação, entre 2004-2009, a média anual foi de apenas 2,6% do PIB. Nos últimos 12 meses (Dezembro de 2011 a Novembro de 2012), ele ficou em 3% do PIB. 


Somente no segundo mandato (1999-2002), e por imposição do FMI, é que o governo FHC trabalhou com uma política de superávit primário, o que aconteceu a partir do acordo feito com o FMI no final de 1998. Inicialmente,  o governo tucano procurou atingir uma meta anual de 3,25% do PIB e, depois, a elevou para 3,75% do PIB.




O governo Lula, em seu primeiro mandato, elevou o mesmo para 4,25% do PIB. Depois, ele voltou a ser reduzido para cerca de 4% do PIB. E mais recentemente ele caiu para 1,9% do PIB (Dezembro de 2011 a Novembro de 2012). 

Entre 1995 e 2012, o superávit primário acumulou os seguintes resultados (em % do PIB):


1995 - 0,4%;
1996 - 0,1%;
1997 - 1,0%;
1998 - 0,0%;
1999 - 3,3%;
2000 - 3,5%;
2001 - 3,6%;
2002 - 4,0%;
2003 - 4,3%;
2004 - 4,6%;
2005 - 4,4%;
2006 - 3,9%;
2007 - 3,9%;
2008 - 4,1%;
2009 - 2,1%;
2010 - 2,8%;
2011 - 3,1%.
2012 - 1,9% (Dezembro de 2011 a Novembro de 2012). 

Nota-se que durante o primeiro mandato de FHC, o superávit primário virtualmente não existiu, atingindo uma média anual de apenas 0,38% do PIB. Apenas no segundo governo FHC, é que o mesmo procurou praticar uma política de superávit primário, cuja média anual foi de 3,55% do PIB entre 1999-2002. 


Já no primeiro governo Lula, no período de 2003-2005, o superávit primário médio anual foi de 4,4% do PIB. Daí, ele sofreu uma pequena redução para 4% do PIB (entre 2006-2008). E ele foi novamente reduzido, para 2,45% do PIB (no período 2009-2012).


Assim, a redução do superávit primário, ainda de forma gradual, começou justamente DEPOIS que o governo Lula decidiu não renovar o acordo com o FMI.


E uma nova redução do superávit primário, mais significativa, aconteceu depois da grave crise financeira global que começou em 2008 e que atingiu inicialmente os EUA e, mais recentemente, a União Européia;


Desta maneira, o superávit primário caiu de 4,4% do PIB (entre 2003-2005) para 2,45% do PIB (entre 2009-2012), acumulando uma queda de 44.3% entre um período e outro.

E como a prioridade do governo Dilma para 2013 é o de acelerar o crescimento econômico, dificilmente este superávit primário, de 1,9% do PIB, será elevado no próximo ano. O mais provável é que ele permaneça neste mesmo patamar, que já é suficiente para se promover a redução da dívida líquida do setor público. Mesmo com este superávit primário reduzido de 2012, a dívida pública caiu de 36,4% do PIB, em 2011, para 35% do PIB em 2012. 


E um dos motivos dessa queda do endividamento público foi a forte queda da taxa Selic, que caiu para o menor patamar da sua história, 7,25% ao ano, o que caracteriza um juro real negativo se levarmos em consideração o IGP-M de 2012, que foi de 7,82%. Essa queda da Selic continuará se refletir em 2013, permitindo aumento dos investimentos públicos, pois o gasto com juros da dívida pública irá diminuir com a queda da mesma. 


Portanto, está encerrada a 'era do superávit primário' na economia brasileira. 


A atual combinação de uma taxa Selic real próxima de zero ou negativa e a redução da dívida pública (que caiu de 51,5% do PIB, em 2002, para 35% do PIB atualmente) permitem ao governo Dilma reduzir o superávit primário e elevar os investimentos públicos, sem que isso resulte no aumento da dívida pública. Até porque, com mais investimentos a economia brasileira crescerá mais e isso irá aumentar a arrecadação de impostos, o que permitirá a continuidade da redução do endividamento público. 



Embora sejam muito criticados, o fato é que Palocci e Meirelles tiveram um papel importante na recuperação da economia brasileira, que estava virtualmente falida no final do governo FHC. Eles reduziram a inflação, os juros, a dívida pública e o déficit externo, criando condições para a retomada do crescimento econômico.  Sem tais medidas, o PAC e os programas sociais não existiriam ou teriam uma dimensão muito reduzida. 

2) Câmbio Flutuante:

A partir do acordo com o FMI, em Setembro de 1998, o governo FHC se comprometeu com uma política de câmbio flutuante, abandonando a política de valorização do Real que implantou-se no país a partir do Plano Real, em 01/07/1994. 


A razão fundamental para a mudança foi a fuga de capitais que o país sofreu durante o ano de 1998 e que foi provocada pelo brutal aumento da dívida externa (que atingiu 45% do PIB) e do déficit em transações correntes que ocorreu no primeiro governo de FHC. 


Os resultados do déficit externo entre 1994-2002 foram (em % do PIB):


1994 - 0,3% 

1995 - 2,4%;
1996 - 2,8%;
1997 - 3,5%;
1998 - 4,0%;
1999 - 4,3%;
2000 - 3,8%;
2001 - 4,2%;
2002 - 1,5%.
2003 - 0,75%;
2004 - 1,8%;
2005 - 1,6%;
2006 - 1,25%;
2007 - 0,11%;
2008 - 1,7%;
2009 - 1,5%;
2010 - 2,2%
2011 - 2,1%.
2012 - 2,3% (Janeiro-Novembro).



Notem que no último ano do governo de Itamar Franco, as contas externas brasileiras estavam equilibradas. 


Foi a partir do governo FHC (que começou em 1995) que o déficit externo teve um crescimento muito rápido, chegando a 4% do PIB justamente em 1998, quando ocorreu a fuga de capitais. E esta dá justamente porque os credores e investidores externos estavam muito bem informados sobre essa deterioração das contas externas do país e passaram a temer que o Brasil decretasse moratória, o que acarretaria gigantescos prejuízos para os mesmos. 


Isso ocorreu até porque o rumo que a economia brasileira tinha tomado, a partir do Plano Real, era semelhante ao de países como o México, Tailândia, Indonésia, Filipinas, Malásia e Coréia do Sul. Nestes, também tivemos uma forte valorização da moeda nacional, que gerou imensos déficits nas balanças comercial e em transações correntes. 


Com isso, as contas externas destas nações também passaram por um rápido processo de deterioração nos anos anteriores (no México aconteceu depois que o mesmo abriu a sua economia para aderir ao NAFTA, o que se deu entre 1988-1994), razão pela qual também eles também sofreram com uma rápida fuga de capitais que jogou essas economias em uma crise econômica e social gravíssima nos anos seguintes. 


Este processo se repetiu no Brasil e fizeram com que as reservas  internacionais acumuladas até aquele momento se transformassem em pó em poucos meses. No fim de 2002, o Brasil contava com apenas US$ 16 bilhões em reservas internacionais líquidas. 


Sem reservas, não havia mais como manter os compromissos internacionais em dia e isso obrigou o governo FHC a se comprometer com a mudança da política cambial. 



Acima, o exato instante em que o brilhante ministro Guido Mantega respondia ao estúpido editor da revista britânica 'The Economist', que pediu a sua demissão, e que é o mesmo panfleto vagabundo que defende o Neoliberalismo suicida e criminoso. 

Mas, por pressão do então presidente dos EUA, Bill Clinton, a política cambial do governo brasileiro somente foi alterada em Janeiro de 1999, pois se a alteração fosse promovida aina durante a campanha eleitoral, isso poderia provocar a derrota de FHC para Lula na eleição presidencial que se realizou em Outubro de 2002. 

No governo Lula, a adoção de uma política externa e comercial que aproximou o Brasil de países emergentes cujas economias cresciam rapidamente (e, logo, as suas importações também, principalmente de minérios e alimentos, como ferro, soja, suco de laranja, carnes, etc), como a China e a Índia, acabou por levar a um rápido processo de expansão das exportações do país. 


A China começou o seu processo de integração ao mundo do Capitalismo Globalizado ainda no governo de Mao Tse-Tung, quando este recebeu Richard Nixon de braços abertos. E a partir da década de 1980, as reformas econômicas iniciadas por Mao foram aprofundadas e aceleradas no governo de Deng Xiaoping, veterano líder revolucionário e o mais capaz e respeitados dos líderes do Partido Comunista Chinês. Suas reformas transformaram a China na grande locomotiva da economia mundial. 

O governo Lula teve a capacidade de perceber a importância dessa mudança que se processava  na economia mundial naquela época e estabeleceu uma parceria estratégica com a China e, também, com a Índia (outra economia que começou a crescer rapidamente, embora com um certo atraso em relação à China). Com isso, o governo Lula abriu novos mercados para as exportações brasileiras, que cresceram rapidamente. 

Desta maneira, as exportações do Brasil passaram de apenas US$ 60 bilhões, em 2002, para mais de US$ 202 bilhões em 2010. E em 2011 elas atingiram os US$ 256 bilhões. 


E o superávit comercial acumulado no governo Lula chegou a US$ 259 bilhões. No governo Dilma, entre Janeiro de 2011 e Novembro de 2012, o superávit comercial brasileiro já chega a quase US$ 47 bilhões. 


Assim, desde 2003, o Brasil já atingiu um superávit comercial de US$ 306 bilhões de dólares. 


Além do superávit comercial, os investimentos externos diretos (produtivos) também cresceram muito no Brasil durante o governo Lula. 

Veja os números:


2003 - US$ 10,1 bilhões;

2004 - US$ 18,2 bilhões;
2005 - US$ 15,2 bilhões;
2006 - US$ 18,8 bilhões;
2007 - US$ 37,4 bilhões;
2008 - US$ 45,0 bilhões;
2009 - US$ 22,8 bilhões;
2010 - US$ 48,4 bilhões;
2011 - US$ 66,6 bilhões;
2012 - US$ 60,0 bilhões (Janeiro-Novembro).

Nota-se que, a partir do governo Lula, tivemos um crescimento expressivo do superávit comercial e do investimento externo direto no país, o que permitiu um forte crescimento das reservas internacionais líquidas, que passaram de US$ 16 bilhões (2002) para US$ 378,6 bilhões atualmente. 


Com reservas internacionais tão imensas, o governo brasileiro passou a ter condições de controlar a cotação do dólar. E foi exatamente isso que o governo Dilma. 


Assim, a partir do segundo semestre de 2011, o governo brasileiro passou a estimular a valorização do Dólar e a desvalorizar o Real. Entre Julho de 2011 e Dezembro de 2012, o dólar passou de R$ 1,56 para R$ 2,05. 


Assim, o Real sofreu um desvalorização significativa neste período, o que estimula as exportações e a substituição de importações. O objetivo principal desta medida é beneficiar o setor industrial brasileiro, principalmente aqueles setores que mais sofriam com a concorrência de produtos importados. 


Atualmente, fica claro que o Banco Central controla a cotação do Dólar, jamais permitindo que ele cai abaixo do patamar de R$ 2,00 e tampouco tolerando que ele ultrapasse os R$ 2,10. E como ele tem reservas internacionais de US$ 378 bilhões em suas mãos, é claro que nenhum especulador, por mais doido que seja, terá a ousadia de enfrentar a autoridade do governo. 


Tal política pode muito bem ser considerada como de 'câmbio administrado', onde o Banco Central é que determina qual é a cotação máxima e a mínima que ele considera como benéfica para o país. 


Assim, a política de 'câmbio flutuante' também chegou ao fim. 


3) Metas de Inflação:


Tal como aconteceu com as políticas de superávit primário e de câmbio flutuante, as metas de inflação também foram impostas pelo FMI ao governo FHC. 



O Presidente Lula direcionou a política externa brasileira no sentido de fortalecer as relações com a América Latina e com os demais países emergentes, beneficiando as exportações do país, que cresceram quase 327% entre 2003-2011.

O objetivo de tal política era manter a inflação sob controle, estabelecendo-se um piso (2,5% ao ano), um centro (4,5% ao ano) e um teto (6,5% ao ano) para a mesma. 

Porém, a política do Banco Central sempre foi bastante conservadora, visando sempre atingir o centro da meta, que há vários anos é de 4,5% ao ano.


E para isso, o BC tratava de usar, principalmente, a taxa Selic, elevando-a sempre que a inflação não convergisse para o centro da meta determinada. E isso era feito mesmo quando a inflação era provocada não por um processo de rápido aumento de demanda, mas por fatores como a especulação desenfreada com o valor das commodities (minérios, alimentos) no mercado financeiro internacional e que acabavam chegando ao país, provocando o aumento dos preços e, é claro, a elevação da inflação.


No governo Dilma, tal política também foi abandonada.


Primeiro que o BC passou a trabalhar não mais para atingir o centro da meta (4,5% ao ano), mas com o teto da meta de inflação. Assim, atualmente, o BC procura fazer com que a inflação fique, no máximo, sempre próxima dos 6,5% ao ano ano. 


Assim, não existe mais a obrigação de levar a inflação para o patamar de 4,5% ao ano, que era política adotada na época de Henrique Meirelles. E isso abriu espaço para uma política mais agressiva de redução da taxa Selic. 


Desta maneira, a taxa Selic foi substancialmente reduzida no governo Dilma, caindo de 10,75% ao ano, no final de 2010, para os atuais 7,25% ao ano. E mesmo assim, a inflação ficou em 6,5% em 2011 e acumula 5,5% nos últimos 12 meses (Dezembro de 2011-Novembro de 2012). 


E isso aconteceu mesmo com o Dólar passando de R$ 1,65 (cotação de 03/01/2011) para R$ 2,04 no dia 28/12/2012. Logo, nos dois primeiros anos do governo Dilma, o Dólar se valorizou em torno de 23,6%. 


Uma forte queda da taxa Selic e uma significativa valorização do Dólar não resultaram, entretanto, no aumento da inflação. 


O IPCA fechou o último ano do governo Lula em 5,9%, passando para 6,5% em 2011 e 5,5% nos últimos 12 meses. 


Assim, a taxa média de inflação dos dois primeiros anos do governo Dilma, de 6% a.a., é virtualmente igual à inflação do último ano do governo Lula. 


Portanto, a desvalorização do Real e a forte queda da taxa Selic que tivemos no governo Dilma não provocaram o aumento da inflação, que se manteve no mesmo patamar daquele em que ela se encontrava no último ano do governo Lula. 


E porque isso aconteceu? 


Porque o governo Dilma passou a controlar a inflação usando de mecanismos diferentes, como a redução de impostos e a desoneração da folha de pagamento, bem como adotando uma forte redução dos juros nos bancos públicos, o que levou os bancos privados a acompanhar esse processo (pois passaram a sofrer uma forte concorrência dos bancos públicos). 


Agora, para 2013, uma nova medida adotada pelo governo Dilma, que é a redução das tarifas de energia elétrica entre 19% e 28%, também irá contribuir para a redução de custos das empresas e, logo, também ajudará no controle da inflação.


Portanto, depois dos processo de mudanças graduais que tivemos no governo Lula, e que melhoraram consideravelmente a situação econômica-financeira do Brasil (aumentando as exportações e o superávit comercial, elevando fortemente as reservas internacionais, aumentando o salário mínimo, criando políticas de inclusão social, gerando 15 milhões de empregos com carteira assinada, reduzindo a inflação, o desemprego e os juros) o governo Dilma teve como implementar medidas ainda mais fortes no sentido de reduzir juros, diminuir os custos de produção, desvalorizar o Real, e mesmo assim, dar continuidade às políticas que o governo Lula havia implantado.


Assim, no governo Dilma, o salário médio real dos dos trabalhadores cresceu 7% desde Janeiro de 2011, passando de R$ 1.690,00 mensais para R$ 1.808,00. O número de empregos formais criados em 2011-2012 já passa de 3.620.000 e a taxa de desemprego atingiu o seu menor nível em Novembro deste ano (4,9%, a menor taxa para o mês em toda a história). 



O governo Lula aproximou o Brasil das grandes potências emergentes, criando os BRICS, política essa à qual o governo Dilma deu continuidade. Submissão aos EUA? Isso é coisa de tucano que adora tirar os sapatos para entrar na terra de Tio Sam. 

Não é à toa, portanto, que a popularidade de Dilma já chegou aos 77% e ela é a favorita disparada para vencer a eleição presidencial de 2014, tendo quase 60% e 64% dos votos válidos na pesquisa  mais recente do Datafolha.

Logo, o governo Dilma cumpre com a sua missão histórica, que é a de dar continuidade ao governo Lula e aprofundar e acelerar o processo de mudanças que o mesmo havia iniciado. 



Links:


Para entender o jogo da economia - por Luis Nassif:


http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/para-entender-o-jogo-da-economia


Taxa de desemprego cai para 4,9% em Novembro, a menor da série histórica para o mês:


http://g1.globo.com/economia/noticia/2012/12/taxa-de-desemprego-cai-para-49-em-novembro-mostra-ibge.html


Pesquisa Datafolha mostra Dilma com 60% a 64% dos votos válidos:


http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2012/12/datafolha-dilma-vence-no-1o-turno-com.html


Resultados da Balança Comercial brasileira entre 1993-2012:


http://www.portalbrasil.net/economia_balancacomercial.htm


Superávit comercial brasileiro chega a US$ 18 bilhões até meados de Dezembro de 2012:


http://www.desenvolvimento.gov.br/sitio/interna/interna.php?area=5&menu=567


Exportações do Brasil chegam a US$ 202 bilhões em 2010:

http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/01/03/exportacoes-brasileiras-fecham-2010-com-recorde-historico


Exportações brasileiras chegam a US$ 256 bilhões em 2011:


http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2012/01/exportacoes-brasileiras-registram-crescimento-de-27-em-2011.html


Governo Dilma reduz tarifas de energia entre 19% e 28%:


http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-18/senado-aprova-mp-que-reduz-conta-de-energia


Desoneração da folha de pagamento já beneficia 42 setores da economia:


http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-19/comercio-varejista-sera-beneficiado-com-desoneracao-da-folha-de-pagamentos


Classe C passa a incluir 54% dos brasileiros:


http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-03-22/classe-c-passou-ser-maioria-da-populacao-brasileira-em-2011-mostra-pesquisa


Poder de compra do salário mínimo cresce 92,6% desde 2003:


http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2012/12/governos-lula-e-dilma-reajustam-salario.html


Cotação do dólar desde 2001 (valor médio mensal):


http://www.acsp.com.br/indicadores/IEGV/IEGV_DOLAR.HTM


Dívida Pública cai para 35% do PIB em 2012:


http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_secao=6&id_noticia=202253


Superávit Primário entre 1999-2003:


http://www.uel.br/projetos/ssrede/SuperavitPrimario.pdf


Superávit Primário em 2011:


http://economia.estadao.com.br/noticias/economa%20geral,governo-cumpre-superavit-primario-cheio-em-2011-depois-de-2-anos,101175,0.htm


Superávit Primário despenca 42% em 2012:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-12-31/em-ano-de-crise-governo-reduz-superavit-primario-e-passa-olhar-para-resultado-nominal-das-contas-publ


Juros bancários caem para menos de 30% ao ano, menor patamar da história:


http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20121028120159&cat=economia&keys=juros-bancos-caem-ao-nivel-mais-baixo-mas-inadimplencia-segue-alta


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