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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 11 de maio de 2013

Brasil deveria seguir exemplo chinês, defende economista!


Brasil deveria seguir exemplo chinês, defende economista - da Carta Maior



Em entrevista à Carta Maior, Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, fala sobre as perspectivas da economia brasileira no atual cenário internacional. Para Weisbrot, Brasil deveria seguir o exemplo da China que fez um gigantesco investimento para manter aquecida a atividade econômica no país. Exatamente o oposto do que faz a União Europeia, que, na opinião do economista, segue mantendo uma "demente política de austeridade". Por Marcelo Justo, de Londres.



Londres - As últimas estimativas de crescimento do Brasil acenderam luzes de alarme no governo de Dilma Rousseff. A indústria é um dos setores mais atingidos com uma queda interanual de 3,3% em março, o que levou vários analistas a reduzirem as estimativas de crescimento para este ano e o próximo. A Carta Maior conversou com o co-diretor do heterodoxo Center for Economic and Policy Research, de Washington, Mark Weisbrot, para analisar as perspectivas da economia brasileira.

É o terceiro ano em que a economia do Brasil tem um crescimento anêmico. A que se deve isso?
Mark Weisbrot: Toda a América Latina está sofrendo o golpe da crise mundial. Essa é a realidade. Em seu último informe, o FMI reduziu as expectativas de crescimento para toda a região. O problema vem dos Estados Unidos, Europa e China. Cabe não esquecer que, até o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, ter indicado que faria tudo o que fosse necessário para salvar o euro, existia o perigo de uma crise financeira mundial como a de 2008. Este pânico foi controlado, mas a Europa segue em uma situação de recessão. Os Estados Unidos estão crescendo, mas vive ameaçado pela restrição fiscal que o congresso não conseguiu solucionar e que pode apresentar a conta este ano, o que gera muita incerteza. E a China está crescendo muito menos.

O governo tem buscado separar-se do monetarismo que dominou a política econômica brasileira desde os anos 90. Com Dilma Rousseff, as taxas de juro caíram e há uma tentativa de estimular a indústria. Mas, no momento, isso não tem dado resultado.

MW: É que essas políticas levam tempo para surtir efeito. Há mais de 20 anos de descuido da indústria para dar conta. O crescimento industrial per capita foi de 0,5 anual entre 1990 e 2003. Isso não se resolve da noite para o dia. Mas acredito que a economia vai se recuperar. O investimento terminou em alta em 2012 e o governo tem reservas consideráveis que pode usar a qualquer momento para estimular sua economia. É um debate que tem ocorrido nos Estados Unidos. Lamentavelmente, o governo de Barack Obama preferiu um estímulo moderado ao invés de implementar o que defendia Christina Romer no conselho de assessores econômicos do presidente. Na crise de 2008 e na atual, a China fez um gigantesco investimento para manter a atividade econômica. Exatamente o oposto do que faz a União Europeia que segue mantendo uma demente política de austeridade. Creio que o Brasil deveria seguir o exemplo chinês.

No Brasil está claro que, no momento, a magnitude do estímulo não tem sido suficiente para reverter o caminho da desindustrialização nacional que um professor da Universidade de Cambridge, José Gabriel Palma, denominou como um dos processos de desindustrialização mais extremos do século passado. Segundo Palma, hoje a indústria do Brasil é a metade do que era em 1980 em relação ao seu Produto Interno Bruto (PIB).

MW: Precisamente por isso mudar esta situação levará tempo. A desvalorização do real ajuda, mas não é suficiente. Por um lado, porque esta depreciação também precisa de tempo para disseminar-se por toda a economia. Por outro, porque também é preciso uma política industrial com estímulo de setores chave e estratégicos. Mas penso que na segunda metade do ano este panorama atual vai mudar.

Este discreto desempenho atual pode complicar as possibilidades de reeleição de Dilma Rousseff no próximo ano?

MW: Não. Cabe lembrar que tem havido uma enorme mudança na distribuição de renda, um aumento de cerca de 28% na renda per capita, desde que o PT está no poder, e uma forte queda no desemprego. Por isso os índices de aprovação de Dilma Rousseff são tão altos apesar dos problemas econômicos. E não esqueçamos que essa melhoria nos níveis de vida é tão importante quanto os outros fatores para o crescimento da economia. 

Vê algum sinal de recuperação na economia mundial daqui até às eleições?


MW: Não tenho bola de cristal. Ser tivesse seria milionário (risos...). No momento, o que vem se observando a cada semana são indicadores diversos. Mas não creio que estejamos avançando para uma nova recessão mundial. Na última, tivemos gigantescas bolhas especulativas que explodiram ao mesmo tempo. Não há nada parecido com isso no horizonte. O que temos hoje é uma política fiscal incorreta em muitos países, em especial na Europa. Mas isso pode ser corrigido e não tem o mesmo impacto. É preciso aguardar para ver. Há muitos investidores que, estes sim, estão apostando que vem aí uma nova recessão mundial.

TraduçãoMarco Aurélio Weissheimer


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http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=22023

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