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"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

sábado, 13 de julho de 2013

Governo Dilma enfrenta os efeitos da mudança dos ciclos econômicos brasileiro e mundial! - por Marcos Doniseti!

Governo Dilma enfrenta os efeitos da mudança dos 

ciclos  econômicos brasileiro e mundial! - por Marcos 


Doniseti!



(atualizado às 17:54 do dia 13/07/2013)


Na passagem do governo Lula para o governo Dilma, o ciclo econômico brasileiro e mundial passou por grandes transformações. O governo Dilma tenta administrar o processo e procura garantir a continuidade da fórmula política, social e econômica que deu certo no governo do antecessor: crescimento econômico, controle da inflação, contas públicas e externas equilibradas e distribuição de renda.

A economia brasileira e mundial passam, neste momento, por uma mudança em seu ciclo de crescimento econômico. 

E é bom que fique claro isso não começou agora, mas está em pleno desenvolvimento desde, pelo menos, 2008-2009 (no caso dos países ricos) e 2010-2011 (no caso dos países emergentes). 

Estamos enfrentando, neste momento, os efeitos do fim de uma era de crescimento rápido, acelerado, e o início de uma nova realidade, marcada por uma forte desaceleração do ritmo de crescimento das economias brasileira e mundial. 

Isso significa que o mundo irá mergulhar numa nova idade das Trevas, como parece acreditar, por exemplo, Slavoj Zizek? Entendo que não. Mas grandes mudanças estão se processando neste momento nas economias brasileira e mundial e isso mexe diretamente com a vida das pessoas, em nosso país e no mundo afora. 


Os países membros dos BRICS representam a maior parte do crescimento econômico mundial nos últimos anos e deverão, gradualmente, deixar para trás as economias dos países ricos nas próximas décadas, tornando-se as maiores economias do mundo. A previsão é que em 2050 4 das 6 maiores economias do mundo serão membros dos BRICS (China, Índia, Brasil e Rússia).

Nos últimos anos, os países ricos, em especial, usaram da estratégia de baratear os preços dos seus principais produtos de exportação como o mecanismo principal (embora não o único) de superação da crise econômica e social na qual mergulharam e que é a mais grave desde a Grande Depressão dos anos 1930. Tal crise atingiu a todos os países, com maior ou menor força. 

Nos casos dos BRICS, que são a grande locomotiva da economia mundial já há vários anos, mesmo a China sofreu uma forte queda no seu ritmo de crescimento econômico, caindo de 11,9% no primeiro trimestre de 2010 para 7,7% no primeiro trimestre de 2013. E a previsão é a de que neste ano a taxa será ainda menor, de 7%. 

E para fazer isso, os governos dos EUA, União Européia, China, Japão, trataram de promover políticas de estímulo monetário que resultaram em imensas maxidesvalorizações da sua moeda. 

Com isso, os produtos e serviços exportados por estes países ficaram muito mais baratos, ganhando espaço no mercado internacional, em prejuízo dos países que não optaram, naquele momento, por participar desta 'guerra cambial', seja porque não concordavam com esta solução, seja porque não tinham condições para fazê-lo.


O Real se valorizou fortemente em relação às principais moedas do mundo entre 2003-2010. 

O governo brasileiro foi um dos que condenou a estratégia de se promover essa 'guerra cambial' como mecanismo de superação da crise, pois se todos os países fizessem isso, ao mesmo tempo, isso representaria, na prática, o início de uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, resultando num forte aumento do protecionismo no mundo inteiro.

Como o Brasil foi o último país a ser afetado pela crise de 2007-2009 e o primeiro a superá-la, os efeitos dessa guerra cambial demoraram um pouco mais para começar a serem sentidos pela economia brasileira. 

Mas, desde 2011, pelo menos, está mais do que evidente de que a 'guerra cambial' entre as maiores economias do mundo começou a fazer estragos sobre a economia brasileira, em especial sobre a indústria brasileira. 

Desde a implantação do Plano Real, a moeda brasileira passou por um processo de valorização em relação às outras moedas e isso tem como resultado o encarecimento da produção nacional e o barateamento dos produtos importados. 


Déficit externo brasileiro oscilou muito desde o início do Plano Real. Aumentou fortemente entre 1995-2002. Depois, entre 2003-2007, o Brasil teve superávit externo, mas a partir de 2008 ele voltou a crescer cada vez mais. E ficou em preocupantes 4,28% do PIB entre Janeiro-Abril de 2013, o que é insustentável a médio prazo. 

Embora o Real tenha passado por alguns momentos em que se desvalorizou fortemente (1999, 2001, 2002 e 2008), a tendência da moeda brasileira foi, claramente, de valorização desde que a nova moeda passou a circular, em 01/07/1994.

Segundo o economista Amir Khair, "a valorização do real perante o dólar foi de 40,8% entre a média 2004/2007 e 2010. Com isso retraiu-se as exportações e se ampliaram as importações de vários produtos.". 

E Khair também diz que 'Outro efeito, e esse mais danoso da valorização, foi o crescimento vertiginoso do déficit da balança de serviços e rendas. Ela engloba o saldo das viagens internacionais, fretes, seguros, remessas de lucros, dividendos e royalties e juros principalmente. Essa balança sempre foi deficitária, mas sua evolução é assustadora. Foi de US$ 23,5 bilhões em 2003 e atingiu US$ 70,6 bilhões em 2010. Com o real forte aumentam as remessas de lucros e dividendos e as viagens internacionais, que são seus componentes principais.'.


Os gráficos abaixo mostram bem a relação existente entre a valorização do Real e o forte aumento do déficit externo brasileiro. À medida que o Real foi se valorizando em relação ao dólar (e, logo, também em relação às demais moedas), o déficit externo brasileiro cresceu cada vez mais, chegando aos 4,28% do PIB nos primeiros quatro meses de 2013, o que é um patamar altíssimo e extremamente perigoso para a economia brasileira.

Se este nível, extremamente elevado, de déficit externo se mantiver por vários anos consecutivos, aumentarão fortemente as chances de que venhamos a enfrentar uma grave crise nas contas externas, gerando consequências catastróficas para o país e o seu povo, como uma maxidesvalorização descontrolada do Real, disparada da inflação, arrocho salarial, aumento do desemprego, da pobreza e da miséria. 

E sem falar que a chamada 'classe C' iria desaparecer em pouco tempo, pois os ganhos que ela obteve em sua renda e em suas condições de vida estão diretamente relacionados com as melhorias econômicas, financeiras e sociais que o país alcançou a partir do governo Lula. 


Entre 2003 e 2012, o percentual da população que vive na pobreza caiu de 26,7% para 10,9%. 

A chamada 'nova classe trabalhadora' (definição defendida por Marilena Chauí, Marcio Pochmann e André Singer e com a qual eu concordo) surgiu como resultado de uma década em que o Brasil combinou um processo de crescimento econômico, com o controle da inflação (a taxa média ficou em 6% ao ano entre 2005-2012), contas públicas e externas equilibradas (ou que são financiadas sem maiores dificuldades), forte queda do desemprego (que caiu de 10,5% em Dezembro de 2002 para 4,6% em Dezembro de 2012), aumento do poder de compra dos salários (o salário mínimo, por exemplo, subiu 239%, contra uma inflação acumulada de 79,6% entre 2003-2013; obs: este dado inclui uma inflação estimada de 5,8% para 2013), geração de mais de 19 milhões de empregos com carteira assinada e a criação e ampliação de programas de inclusão social como o Bolsa-Família, ProUni, Minha Casa Minha Vida e Luz Para Todos, entre outros. 

Uma crise das contas externas de grandes proporções jogaria no lixo grande parte destas importantes conquistas, que foram responsáveis pela melhoria da distribuição de renda, redução das desigualdades sociais, da pobreza e da miséria no Brasil a partir do governo Lula.  

Basta lembrar que as crises externas que o Brasil enfrentou durante o governo FHC (1998-1999, 2001, 2002) tiveram, como causa principal, justamente o forte aumento do déficit externo, que se manteve num patamar bastante elevado durante vários anos seguidos. 

Há uma relação direta entre a forte valorização do Real e a perda de competitividade externa dos produtos brasileiros, o que gera um aumento do déficit externo. 
Inegavelmente, o setor da economia brasileira que mais sentiu as consequências dessa significativa valorização do Real foi a indústria. 

Nos últimos anos, a indústria brasileira sofreu os efeitos da guerra cambial promovida pelos governos das maiores economias do mundo e que se somaram às consequências da valorização do Real (tendência que começou já quando da implantação da moeda, em Julho de 1994) e da desaceleração da economia mundial que começou nos países ricos em 2008 e que chegou aos países emergentes a partir de 2010.

Com isso, as exportações industriais brasileiras perderam bastante espaço no mercado internacional, o que aconteceu até mesmo na América Latina, que é o grande mercado de exportação dos produtos industriais do Brasil. 

O gráfico abaixo mostra bem os prejuízos que o Brasil teve com a perda de mercado em alguns dos seus principais mercados de exportações industriais nos últimos anos (Argentina, Venezuela, Peru). 

E quem mais ganhou espaço nestes mercados foi justamente a China, cujo governo é famoso por promover uma política de deslavado e descarado dumping cambial, mantendo a sua moeda artificialmente desvalorizada a fim de exportar e produzir cada vez mais.


Devido à guerra cambial, ao Real sobrevalorizado e aos problemas de infra-estrutura no Brasil, a indústria brasileira perdeu espaço no mercado internacional, principalmente para os produtos chineses, que são fortemente beneficiados pelo dumping cambial praticado pelo governo do país. 

Além disso, e mais grave ainda, uma grande e crescente parcela dos produtos industrializados brasileiros passaram a ser fabricados com peças, componentes e matérias-primas importadas.

Tivemos, assim, nos últimos anos, um processo de substituição da produção nacional pelos importados. E o quadro se agravou fortemente nos anos mais recentes. Desta maneira, o déficit comercial da indústria brasileira atingiu quase US$ 95 bilhões em 2012.

Segundo informações recentes, o quadro atual é bastante grave em vários setores industriais importantes do Brasil, como se nota pelas seguintes informações publicadas recentemente:

"Destacam-se nesse resultado os setores químico, têxtil e confecções, autopeças, bens de capital, automóveis e eletroeletrônicos. Nesses segmentos, o déficit cresceu US$ 71,5 bilhões nos últimos sete anos. Pulou de US$ 23,4 bilhões em 2006 para US$ 94,9 bilhões em 2012. Isso revela que os produtos com maior valor agregado se tornaram os grandes vilões do comércio exterior. Em têxteis e confecções, o aumento foi de 1.834%. O déficit pulou de US$ 275 milhões em 2006 para US$ 5,3 bilhões em 2012.". ('O Globo' do dia 06/05/2013).


Além disso, a indústria brasileira enfrentou outro problema, que foi o aumento dos custos de mão-de-obra nos últimos anos, o que aconteceu, parcialmente, em função da combinação da forte queda da taxa de desemprego (ela despencou de 10,5% em Dezembro de 2002 para 4,6% em Dezembro de 2012) e do aumento do poder de compra dos salários (que passaram a aumentar acima da inflação em todos os anos, segundo o Dieese). 

E é claro que existe uma relação direta entre esses dois fenômenos, pois a queda do desemprego aumentou o poder de barganha dos trabalhadores organizados que, assim, passaram a conseguir aumentos reais anuais de salários. 


Notem que a América Latina e suas sub-regiões econômicas (América do Sul, Caribe e Comunidade Andina) são as que mais importam produtos brasileiros com maior valor agregado, ou seja, industrializados. 

Segundo o Dieese, por exemplo, mesmo com a economia tendo crescido apenas 0,9% em 2012, 95% dos acordos salariais assinados no ano passado resultaram em ganhos reais para os trabalhadores. E é claro que isso resultou em aumento de custos para as empresas, principalmente para as do setor industrial brasileiro, no qual temos, justamente, os sindicatos mais fortes e melhor organizados do país, como é o caso dos metaúrgicos, dos químicos, entre outros.

Porém, segundo o economista Regis Bonelli (da FGV), o principal fator que encareceu o custo da mão-de-obra brasileira em relação aos demais países foi justamente a valorização do Real. 

Em função dessa valorização da moeda brasileira, o custo unitário do trabalhou aumentou 150%, no Brasil, entre 2003-2009, quando comparado com o dos parceiros comerciais do país, segundo Bonelli.

Esse aumento do custo de mão-de-obra, somado à valorização excessiva do Real que tivemos nos últimos anos e à guerra cambial promovida pelas maiores economias do mundo (EUA, China, UE, Japão) a partir da crise de 2008-2009, agravaram fortemente a situação da indústria brasileira, que perdeu competitividade tanto no mercado internacional, como dentro do próprio Brasil, resultando na queda da participação dos produtos industrializados na pauta de exportações do país, bem como na substituição da produção nacional pelas importações. 
A forte queda da taxa de desemprego entre 2003-2012 aumentou o poder de barganha dos trabalhadores sindicalizados e resultou em aumento do custo da mão-de-obra, principalmente para o setor industrial.
O fato de que os juros cobrados no país tenham, até 2012, ficado bem acima daqueles que vigoram nas maiores economias mundiais (embora os mesmos já tenham começado a ser reduzidos no primeiro mandato de Lula, quando a taxa Selic caiu de 25% para 10,75% ao ano) e as já mais do que conhecidas deficiências da infra-estrutura nacional (principalmente no setor de transporte e logística: ferrovias, rodovias, portos, aeroportos) também contribuíram para piorar a situação da indústria nacional. 

Foi esse quadro que gerou esse gigantesco aumento do déficit comercial da indústria brasileira, que passou de US$ 23,4 bilhões em 2006 para US$ 94,9 bilhões em 2012.

Assim, foi em função do agravamento desta situação que o governo Dilma, já em 2011, começou a promover mudanças na política econômica. 

Entre outras iniciativas, seu governo promoveu uma desvalorização do Real que levou a cotação do Dólar de R$ 1,66 no final de 2010 para R$ 1,87 no final de 2011 e para R$ 2,04 no final de 2012. Assim, nos dois primeiros anos do governo Dilma, o dólar se valorizou 22,3%. Agora, em Junho-Julho de 2013, o dólar se valorizou ainda mais, com a sua cotação atingindo R$ 2,27 no final desta semana. 

Com isso, a valorização da moeda ianque, no governo Dilma, já chegou a 36,7%, bem acima da inflação acumulada no período (IPCA), que foi de 16,3% entre Janeiro de 2011 e Junho de 2013. 

Embora no primeiro ano de governo Dilma o superávit primário tenha aumentado de maneira significativa, atingindo os 3,1% do PIB (contra 2,0% em 2009 e 2,7% em 2010), o mesmo voltou a cair em 2012, quando ficou em 2,4% do PIB. E no acumulado em 12 meses terminado em Maio de 2013 o mesmo ficou em 1,95% do PIB. A meta do governo para todo o ano de 2013 é de um superávit primário de 2,3% do PIB, um pouco abaixo dos 2,4% do PIB atingidos em 2012.


A taxa Selic foi reduzida, no governo Dilma, de 10,75% para 7,25% até o final de 2012. Depois, ela voltou a subir, para 8,5% ao ano, mas ainda está num patamar bem inferior ao do final do governo Lula. 

Assim, essa política de geração de superávits primários bastante elevados também começou a ser, gradualmente, abandonada, a partir de 2012, com o objetivo de elevar os gastos públicos a fim de aumentar o ritmo de crescimento da economia brasileira, que cresceu apenas 2,7% em 2011 e 0,9% em 2012. 

Essa redução do superávit primário começou ainda no governo Lula, tendo sido de 3,6% do PIB ao ano, em média, no primeiro mandato (2003-2006) e de 2,9% do PIB no segundo mandato (2007-2010). 

Como resultado da queda do superávit primário a partir do segundo mandato do governo Lula, tivemos o aumento dos investimentos públicos, em especial a partir da criação do PAC, que foi criado em 2006 e que começou a ser implantado a partir de 2007, e da ampliação dos investimentos sociais (Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, etc). 

Tais iniciativas procuraram elevar os investimentos do governo em grandes obras de infra-estrutura (usinas hidrelétricas, ferrovias, etc), no petróleo do pré-sal e na área social. 


Desta maneira, os investimentos públicos federais subiram de 0,5% do PIB, em 1999, para 1,09% do PIB em 2012 (acumulando um crescimento real de 118%). E a expansão dos gastos sociais federais também foi significativa, sendo que os mesmos passaram de 11,2% do PIB em 1995 para os 15,5% do PIB em 2010, acumulando um crescimento real de 38,4% no período em questão.


Taxa de crescimento da economia brasileira desacelerou no governo Dilma, sendo que em 2012 ela ficou em apenas 0,9%. 

A forte redução da taxa Selic, que caiu de 10,75% ao ano em Dezembro de 2010 para 7,25% ao ano em Outubro de 2012, também fez parte desse conjunto de medidas, adotadas pelo governo Dilma, destinadas a estimular o crescimento econômico brasileiro. 

Porém, em função de um choque externo do preço dos alimentos que tivemos a partir do final de 2012 e que durou até os primeiros meses de 2013 (e que foi provocado, basicamente, por uma forte redução da safra agrícola dos EUA em 2012), a inflação cresceu no período, o que levou o Banco Central a iniciar um novo ciclo de elevação da taxa Selic que, agora, em Julho de 2013, chegou aos 8,5% ao ano, ainda bem abaixo da taxa que vigorava no final do governo Lula, é bom que se diga. 




Além do mais, esse recente aumento da taxa Selic (para 8,5% ao ano) visa combater as inevitáveis pressões inflacionárias que deveremos ter no Brasil nos próximos meses como consequência do aumento da cotação do dólar, que já chegou a R$ 2,27. 

Esse aumento da cotação da moeda dos EUA ocorre, parcialmente, em função do aumento do déficit externo brasileiro em 2013, mas ele acontece principalmente porque o FED ianque diz que irá diminuir fortemente (ou até abandonar integralmente) a política de estímulo monetário, pela qual o mesmo compra US$ 85 bilhões mensalmente em títulos do Tesouro do governo dos EUA. Isso, na prática, representa uma injeção de dinheiro na economia dos EUA e, logo, dos outros países e que resulta no barateamento do crédito e nas desvalorização do dólar no mundo inteiro.

Se tal política de estímulo monetário do FED for mesmo abandonada, é mais do que evidente que o dólar voltará a se valorizar, no mundo inteiro, incluindo o Brasil, é claro. 

E como os especuladores não querem perder dinheiro, é evidente, então eles já estão se antecipando e se desfazendo de aplicações feitas pelo mundo afora nos últimos anos, o que leva à saída de capitais do mundo todo em direção aos títulos do Tesouro dos EUA, considerados como o investimento mais seguro do mundo. 

Com isso, a tendência para as moedas dos outros países é a de se desvalorizarem fortemente em relação ao dólar neste e nos próximos anos. 

E como essa recente valorização do Dólar se dá num ambiente de crescimento, mesmo que moderado, da economia brasileira (que cresceu 0,6% no primeiro trimestre de 2013, o que dá um resultado anualizado de 2,5%), o impacto inflacionário da mesma precisa ser combatido. 

É bom lembrar que esse impacto inflacionário não aconteceu em 2008-2009 pois, na época, tivemos uma forte recessão que durou seis meses - no quarto trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009 - e que atenuou fortemente os efeitos inflacionários, sobre a economia brasileira, da valorização do Dólar que, em Dezembro de 2008, chegou  a ser cotado em R$ 2,54. 

No quarto trimestre de 2008 o PIB brasileiro sofreu uma queda muito forte, caindo 3,6% em relação ao trimestre anterior. Esta foi a maior queda desde 1996. E é claro que isso impediu que as empresas promovessem o repasse, para os preços, do aumento de custos que tiveram com a desvalorização do Real naquele momento.

Agora, tal cenário recessivo não existe no Brasil e, logo, há uma margem maior para que as empresas venham a tentar repassar o aumento de custos provocado por essa recente desvalorização do Real para os preços dos bens e serviços. Então, é isso que explica, a meu ver, a decisão do Copom do Banco Central em elevar a taxa Selic, mesmo que de forma moderada, nos últimos meses. 


A taxa de crescimento da economia chinesa despencou de 11,9% ao ano, no 1o. trimestre de 2010, para um ritmo em torno de 7,6% ao ano a partir da 2o trimestre de 2012. No primeiro trimestre de 2013, a taxa foi de 7,7%. Essa queda reduziu fortemente os preços das commodities exportadas pelo Brasil e por muitos países da A.Latina, África e Ásia, reduzindo o ritmo de crescimento de suas economias. Para todo o ano de 2013, a previsão é de um crescimento de 7% para a economia chinesa.
Além disso, é preciso estimular a poupança interna, visto que a forte redução da taxa Selic, que despencou para 7,25% ao ano em 2012, tornou desinteressante as aplicações financeiras mais populares, como são os casos da caderneta de poupança e dos fundos de investimentos. 

Em muitos casos, inclusive, os fundos de investimentos passaram a render abaixo da inflação, fazendo com que os aplicadores perdessem dinheiro. Como estes fundos são a aplicação preferida da classe média brasileira, não é de se duvidar que boa parte da raiva desta contra o governo Dilma se dê em função deste motivo. 

Assim, com esse pequeno e gradual aumento da taxa Selic (afinal, até agora, ela teve uma elevação de meros 1,25 p.p., passando de 7,25% para 8,5% ao ano em 2013), o governo espera conseguir, ao mesmo tempo, diminuir o impacto inflacionário provocado pela desvalorização do Real nos últimos meses e estimular, novamente, as aplicações financeiras ao alcance da população. 

Também não se pode esquecer que a própria desvalorização do Real irá contribuir para a retomada do crescimento econômico, na medida em que tornará as exportações do país mais competitivas, e irá estimular um processo de substituição de importações, pois os produtos nacionais ficarão mais baratos, enquanto que os importados ficarão mais caros. E um dólar mais caro também irá, com certeza, diminuir os gastos de turistas brasileiros no exterior que, no ano de 2012, bateram todos os recordes, superando os US$ 22 bilhões. 


Notem que o valor da cesta básica (fonte: Dieese) caiu no último ano do governo Lula, mas nos dois primeiros anos do governo Dilma ela subiu mais do que o salário mínimo. Em Junho de 2013 ela atingiu os R$ 340,46, acumulando um reajuste de 30,3% no governo Dilma. Enquanto isso, o salário mínimo, no mesmo período, subiu de R$ 545 para R$ 678, sendo reajustado em 24,4%. 
E tudo isso acabará levando a uma significativa e importante redução no déficit externo do país, que atingiu um nível muito elevado nos primeiros quatro meses de 2013, chegando a 4,28% do PIB. 

Sempre é bom lembrar que as várias crises econômicas e financeiras enfrentadas pelo Brasil durante o governo FHC aconteceram, essencialmente, em função do forte aumento do déficit em transações correntes que tivemos durante o mesmo. 

Como dizem os economistas: 'Crise inflacionária aleija. Crise cambial mata'. 

Assim, a redução do déficit externo é fundamental para que o Brasil possa continuar crescendo e distribuindo renda nos próximos anos. Entendo que há tempo para que se possa levar tal estrategia adiante, pois o país possui, hoje, reservas internacionais 
líquidas de quase US$ 372 bilhões, o que dá ao país uma certa folga e um determinado período de tempo para resolver o problema antes que uma crise mais séria possa vir a acontecer no cenário das contas externas brasileiras. 

Outras medidas importantes tomadas pelo governo Dilma visam elevar os investimentos produtivos, estimular a economia e aumentar a produção industrial brasileira também foram adotadas. 

Entre estas medidas, tivemos a desoneração da folha de pagamento para setores importantes da economia brasileira, a redução de impostos para automóveis, móveis, linha branca e a redução das tarifas de energia elétrica em 20% (em média).  

Além disso, uma nova rodada de concessões de rodovias, portos, aeroportos e ferrovias visa estimular o investimento do setor privado nestes importantes setores da infra-estrutura brasileira, visto que o Estado sozinho não tem como bancar todos os investimentos necessários à ampliação e modernização da mesma. 

Estima-se que somente a concessão de rodovias e ferrovias irá gerar investimentos da ordem de R$ 133 bilhões. 

Já a aprovação do novo marco regulatório para os portos brasileiros (a chamada MP dos Portos) deverá resultar na realização de investimentos da ordem de R$ 50 bilhões neste setor que é de grande importância para a competitividade da economia brasileira.

E uma outra iniciativa de grande importância para que a economia brasileira passe a  crescer mais rapidamente nos próximos anos serão os leilões do petróleo do pré-sal (sob o regime de partilha e não mais de concessão, não custa lembrar), que deverão atrair gigantescos investimentos da Petrobras e de outras empresas para o setor. 

Somente no campo de Libra, estima-se que serão necessários investimentos de, no mínimo, US$ 200 bilhões (que poderão chegar a US$ 300 bilhões) a fim de viabilizar uma produção diária superior a 1 milhão de barris de petróleo. 





Todas estas mudanças na economia brasileira refletem, fundamentalmente, o fim do ciclo de crescimento econômico que começou em 2004 e que foi puxado pelo forte aumento do consumo das famílias.

Agora, o Brasil, para voltar a crescer, terá que aumentar as exportações (daí a necessidade de se permitir uma desvalorização mais significativa do Real) e aumentar fortemente os investimentos produtivos, principalmente em infra-estrutura e na área social.

Neste sentido, as recentes manifestações pelo país afora, que tinham na melhoria dos serviços públicos como a sua principal bandeira (pelo menos no início delas, antes que as mesmas fossem apropriadas por grupelhos de extrema-direita que começaram a pregar o 'Fora Dilma' e a volta da Ditadura Militar), podem ajudar muito neste sentido.


Acima, vemos a evolução dos investimentos públicos federais (em % do PIB) entre 1999 e 2012. No período em questão, os mesmos passaram de 0,5% para 1,09% do PIB. 


Como assim?

É que essas gigantescas manifestações populares, já chamadas por alguns analistas de 'Rebeliões de Junho', criaram uma pressão sobre todas as esferas de governo (federal, estadual e municipal) para que aumentem fortemente investimentos na melhoria da qualidade dos serviços públicos, principalmente em saúde, transporte coletivo, educação, segurança pública e saneamento básico, que são as áreas mais carentes nas grandes e médias cidades brasileiras, em especial.

E se tivermos, ao mesmo tempo, um aumento significativo de investimentos em infra-estrutura e na área social, então tudo isso irá desempenhar um papel fundamental na retomada do crescimento da economia brasileira.

Assim, estaremos entrando em um novo ciclo de crescimento da economia nacional, que desta vez será puxado pelo aumento das exportações e dos investimentos (públicos e privados) em infra-estrutura e na área social, e não mais pelo aumento do consumo das famílias em automóveis, aparelhos eletroeletrônicos, enfim, em bens de consumo duráveis.

E desta maneira poderemos dar continuidade às políticas de crescimento econômico, controle da inflação, equilíbrio das contas públicas e das contas externas, bem como de distribuição de renda que tem caracterizado a economia brasileira a partir do governo Lula.

A missão é fácil? Claro que não. Os riscos e perigos existem, sem dúvida alguma. Mas entendo que o Brasil tem todas as condições de superar os problemas atuais e continuar crescendo de forma a melhorar as condições de vida de sua população e por um longo período de tempo.

Que assim seja.

A luta continua!


Participação dos produtos industrializados nas exportações brasileiras diminuiu nos últimos anos. E a valorização do Real contribuiu muito para isso. 

Links:

Déficit na balança comercial da Indústria ultrapassou os US$ 94 bilhões em 2012:


Amir Khair e os crescentes déficits nas contas externas:


Déficit externo cresceu fortemente no primeiro trimestre de 2013:


Déficit externo cresceu de 2,4% do PIB para 4,28% do PIB entre 2012 e 2013:


A desindustrialização, segundo o empresário Ivo Rosset


Países da América Latina reduzem compras do Brasil:


Dieese mostra que 95% dos acordos salariais em 2012 resultaram em ganhos reais para os trabalhadores:


Real se valorizou 37,32% entre Janeiro de 2003 e Fevereiro de 2012:


IPEA mostra o forte crescimento dos gastos sociais federais entre 1995-2010:


Custo da mão-de-obra na indústria brasileira cresceu 150% entre 2003-2009:


Governo eleva superávit primário em 2011 para 3,1% do PIB:


Superávit primário acumulado em 12 meses (terminados em Maio de 2013) é de 1,95% do PIB: Meta para o ano é de 2,3% do PIB:


Desoneração da folha de pagamento beneficia 15 setores da economia:


MP 612 amplia desoneração da folha de pagamento para mais 14 setores da economia:


Governo Federal reduz tarifas de energia elétrica em 20%:


Governo Federal prorroga redução de IPI para móveis, automóveis e linha branca:


Concessões de rodovias e ferrovias irão gerar investimentos de R$ 133 bilhões:


BNDES apoiará investimentos em portos e aeroportos, diz Luciano Coutinho:

http://www.brasileconomico.ig.com.br/noticias/otimo-o-bndes-vai-investir-na-concessao-de-portos-e-aeroportos_124028.html

Investimentos no campo de Libra serão de, no mínimo, US$ 200 bilhões:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1310110-investimentos-no-campo-de-libra-serao-de-no-minimo-us-200-bilhoes.shtml

MP dos Portos irá promover investimentos de R$ 50 bilhões:

http://ptnosenado.org.br/textos/69-noticias/26703-veja-as-principais-mudancas-no-texto-da-mp-dos-portos

Governo anuncia programa de investimentos em aeroportos:

http://www2.planalto.gov.br/imprensa/releases/governo-anuncia-programa-de-investimento-em-aeroportos

Gastos de turistas brasileiros no exterior ultrapassaram os US$ 22 bilhões em 2012:

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/01/gasto-de-brasileiro-no-exterior-soma-us-22-bi-em-2012-e-bate-recorde.html

Seca reduziu safra agrícola dos EUA em 2012:

http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2012/09/seca-nos-estados-unidos-reduz-estimativa-de-safra-de-milho-e-soja-3883159.html

PIB brasileiro sofre uma queda de 3,6% no 4o. trimestre de 2008:

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL1036131-9356,00-PIB+TEM+QUEDA+DE+NO+TRIMESTRE+A+MAIOR+DESDE.html

Taxa de Inflação em 2013 chega a 3,15% até Junho:

http://www.valor.com.br/valor-data/tabela/5800/inflacao

Haddad: Investimentos nas cidades é o caminho para a retomada do crescimento econômico:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/07/haddad-investimento-nas-cidades-e-o.html
Valor da Cesta Básica em Janeiro de 2011 era de R$ 261,25:

http://g1.globo.com/economia/seu-dinheiro/noticia/2011/02/preco-da-cesta-basica-sobe-em-janeiro-em-14-capitais-diz-dieese.html
Valor da Cesta Básica em Junho de 2013 é de R$ 340,46:
http://economia.uol.com.br/noticias/infomoney/2013/07/04/dieese-em-junho-preco-da-cesta-basica-recua-em-10-capitais.htm
Slavoj Zizek: Uma nova Idade das Trevas?:
http://www.teoriaedebate.org.br/estantes/livros/vivendo-no-fim-dos-tempos
Taxa de crescimento da economia chinesa deverá cair para 7% em 2013:
http://exame.abril.com.br/economia/noticias/ministro-da-china-rebaixa-previsao-de-crescimento-a-7
Reservas internacionais líquidas do Brasil são de US$ 371,8 bilhões:
http://www.bcb.gov.br/?RP20130711

Luciano Coutinho: Empresas brasileiras podem absorver efeitos do dólar a R$ 2,30:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/07/1310738-dolar-nao-voltara-para-o-patamar-do-inicio-do-ano-afirma-luciano-coutinho.shtml

Afinal, porque o Banco Central aumentou a taxa Selic para 8% ao ano?

http://guerrilheirodoanoitecer.blogspot.com.br/2013_05_01_archive.html


Contas Públicas: Brasil poderia entrar para a União Européia:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/07/contas-publicas-brasil-poderia-entrar_7.html


Aumento da taxa Selic: São as contas externas, estúpido!

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/05/governo-dilma-aumento-da-taxa-selic-sao.html

Tombini confirma: Era do crescimento puxado pelo consumo das famílias acabou:

http://guerrilheirodoentardecer.blogspot.com.br/2013/05/tombini-confirma-era-do-crescimento.html

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