Frases para não se esquecer!

"O que ameaça a Democracia é a fome, é a miséria, é a doença dos que não tem recursos para enfrentá-la. Esses são os males que podem ameaçar a Democracia, mas nunca o povo na praça pública no uso dos seus direitos legítimos e democráticos.". - Presidente João Goulart, em 11/03/1964.

Joseph Pulitzer: "Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma."

"O sigilo não oferecerá nunca mais guarida ao desrespeito aos direitos humanos no Brasil"

(Presidenta Dilma Rousseff, ao sancionar a criação da Comissão da Verdade)

Emiliano Zapata: “Mais vale, homens do Sul, morrer de pé que viver de joelhos!”

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

O golpe está sendo televisionado - por Maria Luiza Quaresma Tonelli!

O golpe está sendo televisionado - por Maria Luiza 

Quaresma Tonelli, da sua página no Facebook

As SA, tropas de assalto nazistas, também faziam isso.


Acabo de ler uma entrevista com o cientista político Francis Dupuis-Déri, Professor da Universidade de Québec em Montreal (Uqam), no Canadá. Na entrevista ele responde a perguntas sobre os Black Blocs. Vamos lá.

Segundo Dupuis-Déri, Black Bloc não é um movimento; é simplesmente uma tática, um modus operandi, uma maneira de se organizar dentro de uma manifestação. Vestem-se de preto “para garantir certo anonimato” e usam a bandeira preta, símbolo do anarquismo. 


Bem, como assim “anonimato” se podem ser identificados pela roupa preta e pela bandeira símbolo do anarquismo? Se querem garantir anonimato individual e não como grupo (já que se definem como “tática”) e se a maioria dos black blocs desfilam com calma nas manifestações, como diz o entrevistado, não precisariam esconder a cara, pois não? 

Além do mais, a Constituição federal do nosso país garante a liberdade de expressão e a livre associação, mas diz que não é permitido o anonimato. É bom lembrar que não vivemos mais num Estado de exceção. 

Quanto ao surgimento dos black blocs, explica que surgiram por volta de 1980, na Alemanha Ocidental e que, como “tática”, apareceu dentro de um movimento chamado “Autonomen” (Autônomo), que organizava centenas de ocupações políticas contra energia nuclear, contra os neonazistas, etc. 


Como “tática”, os Black Blocs ganharam visibilidade por causa da cobertura midiática nas manifestações antiglobalização de Seattle, nos Estados Unidos, em 1999. E daí para frente a “tática” black bloc, se espalhou pelo ocidente por ser facilmente reproduzível. 

Segundo o cientista político, muitos Black Blocs consideram que a ideologia neoliberal e o capitalismo são responsáveis pelas desigualdades, injustiças e a destruição do planeta. Por causa disso, as pessoas estão revoltadas e consideram que já não basta se manifestar pacificamente: "é preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo". 


No que se refere à ideologia, diz que não existe “um” black bloc, mas sim “os” black blocs, que são distintos em cada manifestação e, por isso, quem mais participa desses grupos são anarquistas, anticapitalistas, feministas radicais e ecologistas. Para ele, os black blocs são geralmente compostos por indivíduos com uma “forte consciência política”. 

É verdade que a ideologia neoliberal e o capitalismo são responsáveis pelas desigualdades, injustiças e a destruição do planeta. Aliás, não há ideologia neoliberal “e” capitalismo. O neoliberalismo "é" o capitalismo elevado à enésima potência. Por isso ele é a causa das desigualdades e injustiças. E tal como fênix, sempre renasce das cinzas. 


Portanto, falar em “crise” do capitalismo é uma contradição em termos. O capitalismo é a crise. Vive de crises, sobrevive às crises e tira proveito das crises. Nesse sentido, as crises não são e nunca foram um problema para ser resolvido pela economia, mas pela política. 

Ao capitalismo interessa submeter a política ao poder econômico. Quanto menos Estado, maior a força econômica. O capitalismo rentista é um jogo planetário perverso que precisa ser vencido pela política e pelos homens de boa-fé, de boa vontade e de disposição para a luta. 

Nada mais disparatado, portanto, do que dizer que o capitalismo precisa ser “humanizado”. Trata-se de um verdadeiro nonsense. O capitalismo não existe para o homem; ele se serve do homem, trata-o como mercadoria. É regido pela lógica do lucro no reino global do mercado. 

Assim como o homem é o cerne da política, o capital é o cerne do capitalismo. Não há espaço no capitalismo para a solidariedade social. Tudo é visto pela lógica do lucro. Tirar vantagem de tudo é a palavra de ordem. 

Então, que “forte consciência política” é essa dos black blocs que acreditam na possibilidade de destruir o capitalismo quebrando símbolos capitalistas, como agências bancárias, concessionárias de automóveis, estabelecimentos comerciais em geral? Ora, símbolo é a representação de algo. Representar é tornar presente o que está ausente.

É preciso muita ingenuidade e falta de maturidade para achar que destruir agências bancárias é o mesmo que destruir o capitalismo. Ele continua lá onde está, firme e forte, e ainda lucra com o caos. Quem quiser se assegurar disso, sugiro a leitura do livro A Doutrina do Choque: a Ascensão do Capitalismo de Desastre, onde Naomi Klein descreve como as empresas aproveitam dos desastres naturais, das guerras ou outros choques culturais para avançar políticas de liberalização econômicas.

“É preciso perturbar e reagir quando a polícia ataca o povo”, diz o cientista político canadense, referindo à estratégia black bloc. Pelo que consta, todas as vezes que a polícia enfrentou os Black Blocs nas manifestações ocorridas no Brasil foi por causa de atos de vandalismo iniciados por eles. 


Onde estavam os Black Blocs quando a polícia de Geraldo Alckmin atacou o povo do Pinheirinho, tirando mais de 1.200 famílias de suas casas em pleno amanhecer de um domingo de janeiro? Delas tudo foi tirado: suas casas foram destruídas. Foram escorraçadas de suas residências praticamente com a roupa do corpo. Tiraram-lhes até a própria dignidade. Onde estão essas pessoas hoje? Alguém tem ao menos curiosidade de saber o que mudou em suas vidas? Como estão e em condições se encontram? O povo do Pinheirinho, por acaso, desapareceu? Não 
têm uma história? 

Dupuis-Déri diz que, pelo fato de os Black Blocs serem reconhecidos principalmente pela aparência, pela roupa preta, fica fácil imitá-los deturpando o movimento, ou a “tática” blackbloqueana. Ou seja, admite que haja infiltrados. Se é assim, por que admitem que vândalos se misturem a eles? Quem com os porcos se mistura farelo come, diz o ditado. 


Afirma que no Ocidente, a repressão da polícia contra movimentos sociais progressistas vem crescendo nos últimos 15 anos. Ora, não precisamos dos black blocs para nos “salvar” da criminalização dos movimentos sociais. Sabemos muito bem que é da natureza do capitalismo neoliberal e das classes dominantes criminalizar movimentos sociais. 

Aliás, qualquer manifestação legítima é criminalizada, pois para os neoliberais a democracia não é o regime dos conflitos, mas exclusivamente o regime da lei e da ordem. A “tática” black bloc, se querem ser assim chamados, só contribui para que uma sociedade conservadora, autoritária e hierarquizada como a nossa coloque as manifestações legítimas e os atos de vandalismo no mesmo balaio pedindo que algum governante vocacionado para o autoritarismo coloque “ordem na casa” e sabemos muito bem onde isso pode chegar. 

Romanticamente, muita gente vem fazendo um paralelo entre os black blocs e o ludismo do século 19 e Dupuis-Déri diz que isso é possível. Ora, o ludistas eram conhecidos como os “quebradores de máquinas”. 


O ludismo foi um movimento contrário à mecanização do trabalho proporcionado pelo advento da Revolução Industrial. Qual eram as condições do século 19? É intelectualmente desonesto fazer tal paralelo. 

Black Blocs querem ser os “destruidores” do capitalismo tal como os ludistas eram os “destruidores de máquinas”, que substituíam o homem no trabalho. Não é honesto querer “destruir o capitalismo” sem querer saber quais as condições de trabalho dos que fabricam os IPods, notebooks, e IPads dos quais os Black Blocs certamente não abrem mão. 

Nem se interessam em saber das condições em que se encontram os que fabricam os tênis que calçam para ir às manifestações para ajudar a minar a democracia. Querer “destruir” o capitalismo sem abrir mão do desfrute de seus produtos é próprio de quem quer ficar mesmo só na destruição dos seus símbolos, para promover o caos instalado no país. 

E sabemos muito bem a quem isso interessa. Já tem apresentador de TV, que é concessão pública, gritando em alto em bom som que isso não é democracia, mas anarquia. 

Diante disso tudo que estamos vendo só há duas alternativas: ou ficamos de braços cruzados enquanto o golpe está sendo televisionado, ou abrimos uma verdadeira cruzada em defesa da democracia. Escolho a segunda.

Link:

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